Governo lança campanha ‘invisível’ de combate à homofobia

Por pedrodiniz

Para “comemorar” o Dia do Orgulho LGBTI, celebrado mundialmente na quarta-feira (28), o governo federal lançou uma campanha publicitária para dar visibilidade à comunidade. Cartazes, vídeo para TV, banners para internet e flashes de rádio idealizados pelo Ministério dos Direitos Humanos tratariam de desmistificar os preconceitos de gênero e orientação sexual. Tratariam.

Apresentadas em evento na sede do ministério, em Brasília, as peças da campanha Respeite as Diferenças só estarão visíveis para quem se dispuser a entrar em páginas do Facebook do governo e quem tiver a sorte de acessar algum portal ou estar na frente da TV na hora que alguma emissora exibi-las dentro dos espaços de mídia gratuita. A visibilidade proposta pelo projeto expôs, na verdade, a invisibilidade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros  dentro da agenda política.

Cartaz da campanha Respeite as Diferenças, idealizada pelo Ministério de Direitos Humanos . Crédito: Divulgação

Com vigência até o dia 17 de julho, a campanha de conscientização mostra em seus cartazes pessoas trajadas com uniformes de médico, chefe de cozinha, contador, entre outras profissões. Ao lado da foto, lê-se mensagens como “se você souber que foi uma trans que preparou seu prato, altera o sabor?” e “se você souber que sua escritora preferida é lésbica, altera o conteúdo do livro?”.

No vídeo para TV as referências à comunidade LGBT são difusas e subjetivas. A sigla não aparece nem no lambe-lambe de divulgação da campanha e nem nos vídeos e cartazes, a não ser no endereço eletrônico impresso em letras diminutas.

A primeira imagem mostra uma mulher em frente a um prédio em construção, falando para a câmera que “no início não entendia o que eu era, só pensava no que meus pais iriam dizer”. Em 30 segundos de filme, não há nenhuma menção às palavras gay, lésbica, travesti, transexual ou bissexual.

Para a coordenadora geral de promoção dos direitos de LGBT da Secretaria de Direitos Humanos, Marina Rudel, a campanha tem de ser vista como um avanço.

“A ideia é naturalizar a questão LBGTs, desmistificar os preconceitos e vivências dessas pessoas. As campanhas do governo para a comunidade sempre foram vinculadas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Quisemos fazer diferente”, diz.

Rudel afirma que os cartazes serão distribuídos às secretarias dos governos estaduais. Não houve verba para “outdoors”.

Procurada, a Secretaria de Comunicação Social do governo não se pronunciou sobre a campanha e limitou-se a explicar, ainda que sem valores, o plano de divulgação previsto.

O lançamento da campanha aconteceu um dia após a Câmara Legislativa do Distrito Federal derrubar a regulamentação da lei anti-homofobia no Estado, que se arrasta há 17 anos. O decreto foi formulado pelos deputados Rodrigo Delmasso (Podemos), Julio Cesar (PRB) e Bispo Renato Andrade (PR), todos ligados à bancada evangélica.

Pelo menos no Brasil, o mês do orgulho terminou com preconceito e um grande banho de água fria.